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A Banda

Agosto 6, 2009

The Band’s Visit, Habib Shadah soundtrack

Era uma vez, não há muito tempo, uma pequena banda da polícia egípcia que chegou a Israel. Vieram para tocar na cerimónia de inauguração de um centro cultural árabe, mas, devido à burocracia, ao azar ou a qualquer outra razão, são esquecidos no aeroporto. A banda tenta chegar ao seu destino, mas acaba por ir parar a uma pequena e quase esquecida cidade israelense, algures no coração do deserto. Uma banda perdida numa cidade perdida.

Embalados por uma banda sonora ao estilo jazzístico de Chet Baker e pelo recurso aos longos planos contemplativos, The Band’s Visit mergulha-nos no estado de solidão não só do lugar em si, mas também de todos os personagens que compõem esta sátira à vida humana, tanto dos que chegam – os músicos -, como dos que ali permanecem para sempre.

O tempo parece parar na exposição poética do mundo interior destes personagens, de tal forma que, ao longo do filme, quase nos esquecemos que tais personagens pertencem a dois grupos tradicionalmente conflituosos entre si: egípcios e israelitas.

Um belíssimo filme do israelita Eran Kolirin, com não menos belas interpretações. que valeram a esta obra mais de 30 distinções no mundo do cinema. Curiosamente, acabou por ser desqualificado na corrida aos Academy Awards, quando destacado para a categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira. Isto porque mais de 50% dos seus diálogos eram em Inglês, já que era esta a única língua comum entre egípcios e israelitas…apesar de ninguém o falar correctamente e algumas das cenas acabarem por se resumir a uma delicada e meiga mímica de entendimento.

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Sou louca, sou louca…

Julho 9, 2009

Barco Negro, Amália Rodrigues

A Imagem

Filme de animação da autoria de Teresa Pontes e Filipa Horgan Biscaia, realizado durante o estágio na Werksttahaus, em Estugarda.

A Música

Em meados dos anos 50, dois brasileiros – Piratini e Caco Velho – criaram uma notável canção cujo texto e música dispensam comentários: “Mãe Preta”.

Pele encarquilhada carapinha branca
Gandôla de renda caindo na anca
Embalando o berço do filho do sinhô
Que há pouco tempo a sinhá ganhou.
Era assim que mãe preta fazia
Criava todo o branco com muita alegria.
Porém lá na sanzala o seu pretinho apanhava
Mãe preta mais uma lágrima enxugava.
Mãe preta, mãe preta.
Enquanto a chibata batia no seu amor
Mâe preta embalava o filho branco do sinhô.

O texto foi proibido em Portugal e David Mourão-Ferreira escreveu outro texto – Barco Negro, que nada tinha a ver com o brasileiro. No texto português, a tragédia do pescador tinha substituído a tragédia da exploração e do racismo.

Amália Rodrigues cantou esta música pelos quatro cantos do mundo e tornou-a famosa.

A Poesia

De manhã, temendo, que me achasses feia,
Acordei, tremendo, deitada n’areia
Mas logo os teus olhos disseram que não
E o sol penetrou no meu coração.

Vi depois, numa rocha, uma cruz,  
E o teu barco negro dançava na luz   
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas   
Dizem as velhas da praia, que não voltas.   

São loucas! São loucas!   

Eu sei, meu amor,  
Que nem chegaste a partir,  
Pois tudo em meu redor,  
Me diz qu’estás sempre comigo.

No vento que lança areia nos vidros,
Na água que canta, no fogo mortiço,
No calor do leito, nos bancos vazios,
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.

A Alternativa (à “morna dos pés descalços” do post anterior)

10.07.09, Sexta-feira

O Fado

Praça da República, Viana do Castelo – em frente ao “Caranguru”

22h00 – “entrada” gratuita :)

P.S.: Não são profissionais do fado, mas são profissionais do que mais gostam de fazer.

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Morna dos pés descalços

Julho 8, 2009

Sodade, Cesária Évora

10.07.09, Sexta-feira

Cesária Évora

Castelo de Santiago da Barra – Viana do Castelo

22h00

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História trágica com final feliz

Julho 2, 2009

História trágica com final feliz, Regina Pessoa

Música: Normand Roger / Voz off : Manuela Azevedo

 Há pessoas que são diferentes. E tudo o que desejam é serem iguais aos outros, misturarem-se deliciosamente na multidão. Há quem passe o resto da vida lutando para conseguir isso, negando ou tentando abafar essa diferença. Outros assumem-na e dessa forma elevam-se, conseguindo assim um lugar no coração.

Foram 3 anos de intenso trabalho para fazer os milhares de desenhos realizados expressamente para este filme.
O reconhecimento internacional já lhe rendeu mais de 50 prémios, mas o mais importante é sem dúvida no Festival de Annecy, considerado o “Cannes” do cinema de animação. Este filme tornou-se no filme português mais premiado de sempre.

História trágica com final feliz  resulta de uma co-produção internacional entre a Ciclope Filmes, a Folimage (França) e o Office Nacional du Film (Canadá) e é da autoria da portuguesa Regina Pessoa:

Vivi no campo, numa aldeia perto de Coimbra até aos 17 anos. O meu universo era rural. Não tínhamos televisão, o que na altura era uma grande maçada, mas hoje, reflectindo bem, acho que me salvou. Nos tempos livres pensávamos, líamos e ouvíamos os mais velhos contarem histórias. E desenhávamos também. Um tio meu encorajava-nos, desenhando nas paredes de cal e nas portas da casa da minha avó, com carvão da fogueira. O facto de desenharmos assim, pelas paredes, ainda por cima incentivados por um adulto, dava-nos uma sensação de liberdade, porque se, por um lado não tínhamos papel nem lápis, arranjávamos sempre umas paredes ou portas. Talvez isso tenha ficado no meu inconsciente porque agora, bastante mais tarde, é já o segundo filme que faço em gravura…

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Bailarina de histórias

Junho 30, 2009

Pina Bausch, ária Addio del passato da Traviata de Giuseppe Verdi

A “grande dama da dança contemporânea alemã” morreu hoje, aos 68 anos, após lhe ter sido diagnosticado um cancro há 5 dias atrás.

Directora da companhia Tanztheater Wuppertal Pina Bausch, a coreógrafa era conhecida por contar histórias enquanto dançava e por integrar as experiências de vida dos seus bailarinos nestas histórias.

Cafe Müller foi a única peça da sua autoria que interpretou, tendo também participado em E la nave va, de Fellini e no genérico de Habla con ella, de Pedro Almodovar.

A criadora da vertente “dança-teatro” dizia não estar interessada em como as pessoas se movimentavam, mas antes naquilo que as movia.

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Happy with you

Junho 29, 2009

Softly, Lamb

Softly kissing you as you lie sleeping
Breathing gently with you in your slumber
Your face is the picture of contentment
My angels dreaming my angels dreaming

(so happy with you)
Im so happy with you

Slowly opening your wondrous eyes on me
Shining green and glorious in the morning sun
This moment what could be more precious?
May it live forever may it live forever

(so happy with you)
I’m so happy with you

Smiling on me your love gives me all the blessings of this new day
The heat in your skin caresses my senses in such a glorious way

(so happy with you)
I’m so happy with you.

Às vezes não temos nada para dizer…outras vezes, temos tudo.

P.S.: Para os mais saudosistas, podem rever os Lamb no dia 16 de Julho, em Vila Nova de Gaia, no Festival Marés Vivas.

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Bowerbirds e a arte de seduzir

Maio 27, 2009

In our talons, Bowerbirds

Os bowerbirds são uma espécie de pássaros da Austrália e da Nova Guiné e são conhecidos por “pássaros-construtores”. Têm apenas 21 cm mas constroem ninhos até 3 m – verdadeiras obras de arte ornamentadas com flores, conchas, musgo, besouros, pedras e frutos.

Depois, o sonho do pequeno bowerbird é, obviamente, partilhar a sua obra-de-arte com a “bowerbird fêmea”. Quando termina a construção da “casa” e aparece uma fêmea, o bowerbird enceta um ritual de dança, seduzindo-a para o seu ninho. Pouco depois ela entra para ver se gosta da casa. Se gostar, vai ajudá-lo na decoração e, mais tarde sairá de casa, para construir o seu próprio ninho, este mais pequeno e funcional, sem qualquer participação do macho, e onde irá colocar os seus ovos.

Também as aves adoptam diferentes técnicas de persuasão. Se o pavão se limita a atrair a fêmea através da sua beleza, exibindo o leque colorido da sua cauda, o bowerbird faz jus à sua criatividade e seduz através da sua obra, da magnificiência do seu ninho.

 

deet-deet-deet-deet-deet-deet-deet! and the sparrows sing… deet-deet-deet-deet-deet-deet-deet!

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