Barco Negro, Amália Rodrigues
A Imagem
Filme de animação da autoria de Teresa Pontes e Filipa Horgan Biscaia, realizado durante o estágio na Werksttahaus, em Estugarda.
A Música
Em meados dos anos 50, dois brasileiros – Piratini e Caco Velho – criaram uma notável canção cujo texto e música dispensam comentários: “Mãe Preta”.
Pele encarquilhada carapinha branca
Gandôla de renda caindo na anca
Embalando o berço do filho do sinhô
Que há pouco tempo a sinhá ganhou.
Era assim que mãe preta fazia
Criava todo o branco com muita alegria.
Porém lá na sanzala o seu pretinho apanhava
Mãe preta mais uma lágrima enxugava.
Mãe preta, mãe preta.
Enquanto a chibata batia no seu amor
Mâe preta embalava o filho branco do sinhô.
O texto foi proibido em Portugal e David Mourão-Ferreira escreveu outro texto – Barco Negro, que nada tinha a ver com o brasileiro. No texto português, a tragédia do pescador tinha substituído a tragédia da exploração e do racismo.
Amália Rodrigues cantou esta música pelos quatro cantos do mundo e tornou-a famosa.
A Poesia
De manhã, temendo, que me achasses feia,
Acordei, tremendo, deitada n’areia
Mas logo os teus olhos disseram que não
E o sol penetrou no meu coração.
Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas.
São loucas! São loucas!
Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo em meu redor,
Me diz qu’estás sempre comigo.
No vento que lança areia nos vidros,
Na água que canta, no fogo mortiço,
No calor do leito, nos bancos vazios,
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.
A Alternativa (à “morna dos pés descalços” do post anterior)
10.07.09, Sexta-feira
O Fado
Praça da República, Viana do Castelo - em frente ao “Caranguru”
22h00 – “entrada” gratuita
P.S.: Não são profissionais do fado, mas são profissionais do que mais gostam de fazer.
